O Pelicano e a Bailarina

Bem mais distante que as estrelas que podemos enxergar no céu e muito além de todas as galáxias que já conseguimos descobrir, era uma vez um reino mágico onde as pessoas se transformavam em animais durante a noite e os animais viravam pessoas quando era dia.

Naquele lugar, não havia nenhum bicho durante os dias e era impossível ver gente durante a noite. Aliás, a única diferença entre as pessoas e os animais se fazia como se faz a diferença entre os dias e as noites. Somente isso, simples assim.

Neste reino, onde todos eram pessoas e animais, morava um jovem artista que se transformava em um belo pelicano todas as noites para colher, com seu longo bico, as mais belas tintas das mais diversas paisagens que encontrava nos céus. Durante os dias era pintor, o seu trabalho e a sua alegria eram pintar maravilhosas imagens nos muros das casas, nas paredes das escolas e dos hospitais, nas ruas das vilas, enfim, colorir todo o reino com as tintas celestiais.

Certa vez, enquanto pintava a calçada da rua João XV, na altura da casa 12, como o próprio Rei lhe havia pedido, começou a escutar uma música que tocava baixinho em algum lugar perto dali. A música era envolvente e o jovem pintor não conseguia se concentrar direito em seu trabalho, pois seus movimentos tentavam sempre seguir o ritmo daquele som dançante, ainda que desajeitadamente. Foi quando ele resolveu descobrir de onde vinha aquela música e caminhou na sua direção.

Chegando cada vez mais perto avistou a casa de onde vinha aquela boa música. Para seu espanto e, talvez, também para seu encanto, era uma casa de paredes não cuidadas, quase todas em reboco, uma casa praticamente cinza, fria e triste, de poucas pinturas e cores desbotadas. Parecia uma noite sem sonho, lembrava um corpo sem alma. Ele ficou fascinado com o que viu, sentiu-se desafiado diante daquela novidade: um vazio bruto, uma casa sem pintura, algo que o atraía, uma bela aventura. Como não havia percebido aquela casa antes? Devia realmente colorir aquelas paredes. O Rei certamente ficaria feliz em vê-la completamente nova, cheia de cor e vida. O jovem sabia que poderia realizar isto e resolveu entrar naquela casa para tratar com seu dono sobre a pintura.

Ao entrar na casa, ainda no embalo da música que agora tocava mais alto, viu-se diante do espetáculo de uma jovem bailarina que, para seu encanto e, talvez, também para seu espanto, dançava como ele jamais vira alguém o fazer: seu corpo seguia o ritmo com suave graciosidade, seu sorriso acompanhava a alegria da melodia, seus movimentos eram pura harmonia e a maravilha brilhava em seu olhar. Foi quando ela também o viu e parou. O jovem, de maneira um pouco desajeitada e constrangido com a interrupção que causara, elogiou a dança da bela moça e logo se apresentou como pintor. Falou sobre a música que ouvira de longe, falou do seu encontro com a ausência de beleza das paredes da casa, do seu talento para pintar o reino, do talento dela para brilhar com movimentos e música. Agradecida, a bailarina sorriu. Explicou que a falta de tintas e cores na casa se devia ao pouco tempo que ela tinha para se dedicar aos cuidados exteriores da casa, já que atravessava os dias dançando e aperfeiçoando seus movimentos, e durante as noites era impossível pintar paredes com suas patas. O rapaz prontamente se dispôs a colocar beleza por todos os cantos da casa da bailarina que, por sua vez, disse que lhe concederia uma dança como maneira de lhe agradecer.

Quando chegou a noite, o jovem levantou vôo sob sua forma de pelicano. Desta vez, ele queria colher nas paisagens as tintas mais lindas, tonalidades únicas, tintas que nenhum outro pintor possuísse, de uma beleza e vivacidade que ninguém jamais tivesse imaginado. Então, decidiu lançar-se completamente em um vôo para além do rio do meio, onde poucos pássaros tinham coragem de voar.

No caminho, entre ventos frios e árvores frondosas, encontrou-se com uma velha coruja que lhe avisou dos perigos de voar por aqueles lados:

“Meu jovem e sonhador pelicano, a vida que existe nas terras e nos céus para além do rio do meio é muito selvagem. Ali é onde habita a crueldade e se vive à beira da morte, naquele lugar até mesmo as flores podem ser traiçoeiras e as luzes uma armadilha. Não é lugar para um pássaro nobre e pacífico. Somente as águias voam por ali, e mesmo assim, nenhuma delas tem coragem de voar abaixo das nuvens. Lá existem muitos animais ferozes, todos prontos para devorar qualquer desavisado que passar”

O jovem pelicano escutou tudo atentamente, mas no fundo, não conseguia se importar tanto com os perigos e ameaças mortais daquele lugar quanto se importava com a beleza das tintas que somente poderia colher se se aventurasse por lá. Para os perigos, ele se convencia de que bastava saber voar. Para a coruja, ele apenas disse:

“Agradeço o conselho, bondosa coruja. Mas uma vida sem todas as cores vale menos que o silêncio triste do sabiá engaiolado. Se são os desavisados que acabam pegos pelas feras, não se preocupe comigo, agora sou um avisado”

Assim, partiu num vôo alto e lançou-se por inteiro em direção às terras perigosas. Depois de ver o rio do meio ficando para trás, percebeu que começavam a surgir a sua frente cores e tonalidades completamente novas, brilhos nunca antes vistos, texturas desconhecidas, belezas que o faziam lembrar a dança da bailarina e seu encanto. Subitamente colocou-se a colher tudo o que era capaz. Soube que a bailarina ficaria tão maravilhada e contente com a sua pintura quanto ele havia ficado com a arte e os movimetos dela.

Resolveu voar mais próximo das árvores para encontrar as sombras ideais para o seu desenho. Foi quando pode ver o horror de feras se atacando e a violência com que os predadores subjugavam suas vítimas. Viu cães devorarem outros cães, matilhas de lobos desossarem seis bestas, serpentes fazendo sangrar um leão, vermes encarniçados que decompunham um dragão ainda vivo. Lembrou-se do que havia dito a coruja e ficou assustado com a brutalidade a qual estava completamente exposto. Avistou um rochedo em área erma da floresta e cautelosamente pousou ali para se recuperar e ficar pronto para a viagem de retorno.

Quando o susto passou e as forças necessárias para o vôo de volta se recuperaram, o pelicano decidiu começar o retorno para casa. Contudo, assim que alçou vôo, avistou algo que lhe chamou atenção: um animal solitário que caminhava a passos lentos e cansados, atravessando sem ânimo o frio da noite. Era uma imagem tão triste quanto um muro de poucas cores e pintura desbotada. Chegou mais perto para ver o que era e decobriu que se tratava de uma jovem e solitária raposa. Lembrou-se do perigo e logo decidiu esquecê-la e continuar o caminho de volta para casa. Mas a raposa já sabia de sua presença e sentia fome, até aquele momento da noite havia escapado de vários predadores, mas não havia conseguido caçar nada. Então ela o chamou:

“Ei, Pelicano! Espere um pouco, não temas!”

Ele planou, observou-a do alto e pensou:

“Está tudo bem, daqui do alto ela nunca poderia me pegar, vou escutar esta pobre solitária e se ela der algum sinal de que deseja me pegar, escapo voando sem olhar para trás.”

“Gostaria apenas de saber o que fazes em terra tão perigosa, acaso não sabes o risco que corres a cada minuto que permaneces aqui?” – perguntou a raposa.

“É claro que sei dos perigos desta terra, fui avisado, mas vim para colher cores raras que só poderia encontrar aqui”

A raposa riu e o alertou:

“Que tolice, pelicano! Podes ficar muito ferido por causa dessas tais cores, e elas não vão te servir de nada quando estiveres sofrendo. É bom para ti que voes bem alto e para longe daqui, são muitas as ameaças e seria triste ver-te machucado”

O pelicano viu que aquela raposa solitária se preocupava com ele. Decidiu acatar sua sugestão e voar para bem longe. Mas antes de partir, quis deixar justificados os seus motivos para estar ali e questionar o modo de vida dela:

“Tu me falas que minhas cores são uma tolice, mas te vejo tão triste e solitária, isto sim é uma tolice para mim, não querer se arriscar para manter uma vida em preto e branco, de tristeza e solidão. Corro todos os riscos, mas vivo uma vida feliz e intensa”

A raposa respondeu:

“Há muita sabedoria no que dizes, tens toda a razão. Mas não sabes o quanto é duro para mim ter nascido assim…”

“Assim como?”

“Desse jeito que sou, com esses instintos ferozes que habitam em mim, e ter de alimentá-los todos os dias, sem poder me aproximar de outros animais por medo de ser devorada ou por medo de devorá-los. É fácil para ti que és um pelicano falar aí de cima da beleza da arte e de amizades verdadeiras, mas para mim aqui de baixo isto não passa de um sonho impossível, que faço questão de nem saber que existe”

O jovem pelicano sentiu compaixão. A pobre raposa estava realmente triste e sua vida era uma solidão de horizontes sem fim. Ele não queria deixá-la sozinha, abandoná-la ao próprio destino seria um ato terrível e devastador de qualquer esperança para ela. Por outro lado ficar com ela poderia ser suicídio. Então, ele percebeu que naquele instante, apesar de todos os riscos, somente ele poderia fazer algo por ela. Deu-se conta de que poderia fazê-la experimentar algo completamente novo: a amizade verdadeira. Ele era o único que poderia colorir a vida dela.

“A amizade verdadeira existe, bela raposa. Estou aqui para te oferecer minha companhia nos dias mais frios e minha alegria nos tempos de sol” – ao dizer isso o pelicano pousou ao lado da raposa e com uma de suas asas deu-lhe um abraço.

A raposa sorriu. O pelicano havia caído perfeitamente em sua engenhosa armadilha. Ela olhou nos olhos do jovem pássaro e, pérfida, de uma só vez o abocanhou pelo pescoço e o carregou para a sua toca. Pensava em devorá-lo mais tarde, na hora certa para o jantar.

O pelicano ficou profundamente triste, sentia-se traído, havia confiado na raposa e ela o decepcionara em sua primeira oportunidade. Ele quis morrer, era realmente um tolo. E aquela raposa, como podia ser tão malvada? Também queria matá-la. O jovem pássaro passou todo o caminho até a toca da raposa sendo carregado pelos dentes afiados da fera traiçoeira e carregando toda a raiva possível em relação a ela.

Ao chegar na toca, a raposa colocou o pelicano em uma gaiola de ossos para que ele não fugisse até dar a hora certa do jantar. Apesar de sua fome enorme, a raposa era grande respeitadora dos horários certos para as refeições. Como havia ainda algum tempo até o jantar, ela resolveu sair para colher alguns temperos e ervas para deixar ainda mais saborosa a sua refeição. As horas se passavam e, agora, além da traição da raposa, o tempo torturava o pelicano. A espera pela morte pode ser muito dura, ainda mais quando você sabe que irá morrer na boca de seu algoz mas ainda está vivo e o único sentido de sua vida, a única coisa que lhe resta fazer, é aguentar a angústia da demora.

Mas a espera acabou por fazer bem ao pelicano. Depois de ter aceito o seu destino e ainda mais algum tempo, ele ficou mais calmo e conseguiu enxergar melhor o que acontecia. Lembrou-se dos avisos da coruja e dos alertas da própria raposa, deu-se conta que sua situação se devia às escolhas que havia feito até então. Entendeu que se existia algum culpado por aquilo que ele passava, este culpado era ele mesmo, por ter sido tão soberbo e imprudente. A raposa havia apenas seguido a sua natureza, somente cumpriu com o que se podia esperar dela, não era possível condená-la por inteiro. Ele era responsável por ter permitido aquilo acontecer.

Foi quando pensava sobre isso que o pelicano viu na entrada da toca um vento muito forte soprar as árvores e muita neve começar a cair sobre a mata. Era o início do rigoroso inverno da floresta, que sempre surgia de surpresa, sem data no calendário ou qualquer aviso anterior, e durava meses, décadas ou apenas dias, era completamente imprevisível. Muitos animais eram pegos pelo congelante frio de surpresa, sem estarem preparados para enfrentá-lo. Foi o que aconteceu com a raposa. Ela já estava retornando para a toca quando o vento frio e a neve pesada começaram a castigá-la e, pouco a pouco, congelar os seus movimentos.

Apesar de faminta e sem muitas forças para lutar contra o congelamento, a raposa conseguiu se arrastar até a sua toca, chegando muito perto do pelicano. Se ela conseguisse abocanhá-lo poderia se alimentar e ter as forças necessárias para vencer o frio e o congelamento. Mas ficou paralisada ali, já não conseguia fazer nenhum movimento, estava congelada e não podia nem mesmo tremer de frio. O pelicano observou a cena e soube que ela iria morrer em poucos minutos se não fosse alimentada. Então, ele se deu conta que poderia se salvar e sobreviver, a situação estava agora a seu favor. Se ele conseguisse escapar da gaiola poderia ser um pássaro livre novamente e a raposa pagaria naturalmente pelo crime de seus instintos.

Contudo, antes mesmo de procurar uma forma de se livrar da gaiola, o jovem pelicano sentiu uma grande aflição. Ver a raposa daquele jeito congelava de tristeza o seu coração. Não conseguia abandoná-la ao gelo e à morte. Mesmo pensando diversas vezes que aquele era o destino escolhido por ela e somente ela era responsável por aquilo, assim como ninguém era culpado pelo sofrimento que ele vivia há alguns minutos atrás. Apesar de saber que era uma questão de escolha e ela sofria com o gelo do inverno por ter escolhido seguir seus instintos maus, não conseguia abandoná-la mais uma vez ao cruel destino.

E lá estava ele mais uma vez diante de uma escolha a fazer: salvar a vida da raposa se arriscando à tolice de novamente perder a sua própria vida, ou buscar meios de fugir da gaiola e deixá-la com o destino que ela mesma havia encontrado. Ele precisava decidir rapidamente, havia pouco tempo para ela. Foi quando um filme de sua vida passou diante de seus olhos. Os muros e as casas coloridas no reino, os vôos altos alçados nos céus, os sorrisos e os encontros tão preciosos, as aventuras e desventuras vividas sempre com intensidade. Percebeu que seus momentos de plena felicidade foram aqueles em que ele não se preocupou com nada, apenas se doou generosamente, de boa vontade. Naquele instante soube que não valeria de nada continuar vivendo sem se doar, pois doar-se era o único sentido verdadeiro de sua vida. Entendeu que morrendo encontrava vida. Decidiu arriscar-se, como sempre havia feito.

De sua gaiola, ele olhou por todos os cantos da toca procurando alguma coisa que pudesse alcançar com seu bico para alimentar a raposa, mas não encontrou nada. Naquela toca escura e vazia estavam somente os dois e a gaiola de ossos, não havia nem mesmo os mínimos restos de uma carniça velha pelos cantos. Ficou triste, sentiu-se impotente, nada poderia então fazer. Talvez a velha coruja, tão conhecedora da vida, saberia o que fazer naquela situação, mas ele era jovem de mais para aconselhar-se. Pensou nas histórias que ouvira a coruja contar sobre os seus pais pelicanos. Pais que ele havia perdido em um inverno, quando era ainda um pelicano bebê. Lembrou-se, mais precisamente, da história da morte de seus pais.

Diz-se que eram tempos difíceis e tão frios quanto aquela noite. Um longo e rigoroso inverno, como jamais se tinha visto, havia congelado por muito tempo as plantas, os rios, e não havia alimento em parte alguma. Um belo casal de pelicanos que habitava nos campos do reino não sabia como fazer para alimentar seus doze filhotes recém nascidos. Os pequenos gemiam de fome e padeciam aos poucos. Conta-se que diante disso, o pai e a mãe, com generosidade e de boa vontade, como se seguissem algo sugerido pela própria natureza, um instinto de amor, abriram com o bico os próprios peitos e deram, aos poucos e com o passar dos dias, pedaços de seus corações como alimento para as pequenas aves. Quando o inverno acabou os dois haviam dado por inteiro os seus corações e faleceram, deixando os cuidados dos pequenos pelicanos a outras aves amigas do reino.

O jovem não teve dúvidas, era aquilo que devia fazer para salvar a raposa. Sem cerimônia abriu com o longo bico o próprio peito e começou a colocar na boca da raposa o seu coração. Aos poucos, na medida que a raposa comia daquela carne, recuperava as suas forças e sentia-se aquecida por dentro. De repente, de uma só vez, ela se levantou e devorou o que restava do coração do pelicano e, abrindo a gaiola, terminou seu jantar.

Amanheceu no reino e todos se transformaram em pessoas novamente. Era o dia seguinte. O inverno continuou rigorosamente gelado por mais quarenta dias e quarenta noites. Somente depois desse tempo as pessoas voltaram a sair de suas casas e puderam retomar suas amadas rotinas. Para o espanto, e talvez, também para o encanto de todos do reino, uma casa de pintura única surgira radiante em meio as vilas, mais bela que todas as pinturas mais belas de todo o reino, era a casa da bailarina. Logo, uma multidão cercava a casa da bailarina para ver aquela maravilhosa arte que aparecera justamente no inverno, tempo em que ninguém trabalhava, e justamente naquela casa, conhecida por seus muros tão mal cuidados e sem cor.

As pessoas se perguntavam curiosas: mas quem poderia ter feito semelhante arte? Somente o nosso jovem pintor possuia um talento assim, respondiam. Mas o jovem pintor estava desaparecido e ninguém tinha notícias dele desde o dia anterior ao inverno. Um senhor de bigode e óculos grandes que passava por ali disse que o vira atravessar o rio do meio. Todos logo entenderam que ele não retornaria mais e sentiram profunda tristeza. Foi quando escutaram uma suave música que vinha de dentro da casa. Ao observarem por dentre as frestas das janelas, viram uma jovem bailarina que pintava as paredes de dentro enquanto dançava. Ficaram fascinados com o que podiam ver, os movimentos de suas mãos lembravam exatamente os movimentos que o jovem pintor fazia quando trabalhava, e o seu corpo seguia o ritmo da música de um jeito especial, como se fossem duas pessoas dançando harmoniosamente no mesmo corpo. Desde então o reino começou a ser pintado por uma bailarina e muitos dizem que, quando a noite chega, é possível ver uma raposa dançar no céu, bem pertinho da lua. Falam que os buracos na lua são as moridas da raposa voadora que, por não saber pescar muito bem, hoje só come queijo. 

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